Em janeiro, em Nova York, vivi de perto a NRF Retail’s Big Show, o maior evento global de varejo e tecnologia. Como consultor, sempre busco nesses encontros alguma pista sobre o que vai realmente transformar o futuro das empresas. Saí da NRF com uma sensação clara: estamos, sim, vivendo outra bolha. Mas, ao contrário dos anos 90, não se trata mais apenas de euforia e apostas cegas. A nova onda da inteligência artificial (IA) tem contornos muito diferentes. E todo empresário ou líder precisa entender isso, sob risco de se tornar irrelevante.
Do otimismo da internet ao pragmatismo da IA
Lembro bem daquele clima no início dos anos 2000. As promessas eram infinitas: qualquer negócio online estava fadado ao sucesso, bastava angariar audiência, gerar muitos cliques e surfar na novidade chamada “informação digital”. Vários negócios cresceram acelerando times e estruturas, levantando capital fácil e perseguindo métricas de vaidade.
O caso do Facebook, que chegou a empregar mais de 150 mil pessoas, me chama a atenção pessoalmente. Outro que acompanhei de perto foi o Buscapé. Ambas, em seu apogeu, tinham milhares de funcionários. No papel, eram exemplos de sucesso. Mas a falta de caixa robusto e costeio eficiente demonstrou que, sem base sólida, o crescimento rápido pode trazer mais problemas do que benefícios.
A internet queria audiência. A IA quer resultado.
Na minha visão, esse é o ponto central. Diferente da busca obsessiva por relevância e tamanho da antiga bolha, o momento agora é de olhar para geração de caixa e operar com times enxutos. Empresas que incharam sem sustentabilidade acabaram frágeis, enquanto a inteligência artificial tem outro foco: cortar ineficiências, automatizar rotinas e tornar o negócio mais leve.
O que muda na prática com a inteligência artificial?
O principal aprendizado da NRF foi a diferença de fundamentos. IA, quando bem integrada, permite que se faça mais com menos. Operei projetos nos últimos meses que renderam ganhos reais de tempo, corte de custos fixos e agilidade impressionante na execução. Empresas enxutas, que sabem estruturar processos e gerir mudanças, já conseguem superar concorrentes maiores em decisões e entregas.
No entanto, percebo um erro recorrente: há quem trate IA como simples ferramenta ou setor isolado. Muitos adotam uma ou outra solução pontual, colhem ganhos pequenos e logo sentem estagnação. O segredo, que levo da NRF e das experiências recentes da Hyper Group, é enxergar IA como uma habilidade transversal. Ela deve permear toda a empresa:
- Do atendimento ao cliente ao financeiro, passando por logística, marketing e operações.
- Das grandes decisões às pequenas tarefas do dia a dia.
- No desenho dos processos, na tomada de decisão, na comunicação interna e até na capacitação dos times.
Empresas que conseguem disseminar essa visão mudam de patamar em escala e resultado. E não falo por teoria. Já acompanhei negócios que redesenharam seus processos com IA, passando de semanas para dias na execução e melhorando drasticamente seus números.
Informação democratizada: dados só importam se viram ação
Outro tópico que vi ecoar em diversas palestras na NRF é que, com a internet, todos passaram a acessar (quase) as mesmas fontes de dados. O diferencial deixa de ser a informação em si, mas a capacidade de transformar esse volume em ação rápida e consistente.
IA comprime ciclos decisórios, acelera testes, reduz retrabalho e destrava crescimento. Uma pequena empresa pode, hoje, operar com inteligência e agilidade de grandes estruturas. Da mesma forma, grandes empresas têm a chance de se tornarem mais flexíveis, com respostas ao mercado muito mais ágeis.
As bolhas comparadas: do excesso ao resultado
Todo ciclo tecnológico cria empolgação, promessas e valuation alto. Na época da internet, o excesso veio na forma de custos inflados: prédios monumentais, equipes gigantescas, planos ambiciosos sem caixa real para sustentá-los. Hoje, a bolha da IA traz outro perfume.
- Menos gente para entregar mais valor.
- Redução de camadas hierárquicas e custos fixos menores.
- Geração de caixa acontecendo desde cedo no ciclo de vida da empresa.
- Processos que aproveitam o melhor da automação e poupam tempo onde antes se perdia energia com atividades repetitivas.
Um alerta importante, com o qual me deparo ao apoiar empresas dentro da Hyper Group: o maior risco desta bolha não está no exagero, e sim na irrelevância. Ignorar a transformação, seja por medo, descrença ou acomodação, tende a tornar negócios obsoletos em velocidade nunca vista.
Será que sua empresa está de fato na nova onda?
Dentro de empresas que acompanho, costumo fazer sempre a mesma pergunta para equipes e lideranças: “Estamos usando IA para gerar caixa de verdade, melhorar execução e ganhar tempo, ou só para parecer modernos nos relatórios?”
Não basta adotar IA. É preciso transformar a cultura, os processos e medir o impacto no caixa.
Empresas que ficam apenas no discurso, ou usam IA em ações isoladas, colhem ganhos limitados. Já aquelas que se reorganizam, reavaliam fluxos e treinam equipes para absorver as novas possibilidades, colhem resultados exponenciais.
Exemplos práticos vistos na NRF (e além dela)
Durante o evento, conversei com gestores de todos os segmentos. Um exemplo marcante foi o de empresas que, com processos quase totalmente automatizados, conseguem operar com menos de um terço da equipe de alguns anos atrás, mantendo receitas crescentes e melhorando margens.
Outras redesenharam sua governança financeira, usando robôs de IA para cruzar dados antes dispersos em múltiplas áreas, melhorando o controle e eliminando falhas comuns na conciliação de bancos digitais (quem se interessa, o conteúdo sobre internet banking no nosso blog complementa esse olhar prático).
Muitos gestores relataram que o grande momento de virada acontece quando a liderança entende que IA não é responsabilidade de TI, mas sim uma competência central para todas as áreas. Esse insight aparece também em discussões sobre inovação organizacional, mostrando o quanto as mudanças hoje precisam ser rápidas para fazer efeito no resultado.
Reflita e aja: evolução ou discurso vazio?
Após participar da NRF e aplicar seus aprendizados em projetos via Hyper Group, vejo que a transformação trazida pela IA vai além de tecnologia: trata-se de resultado consistente, operação mais leve e preparo para o futuro. Você está repensando processos ou apenas colocando ferramentas de IA num velho sistema? Sua empresa mede o quanto ganhou de tempo e dinheiro ou só acompanha relatórios bonitos?
Deixo esse convite: aproveite a onda ao máximo, evite erros do passado, questione discursos e aposte em modelos que tragam resultado de verdade. Se quiser aprofundar essa jornada, recomendo os conteúdos da categoria de tecnologia e do nosso blog sobre tecnologia, além do debate presente em ChatGPT e marketing digital.
No fim, não se trata apenas de uma nova onda, e sim de construir vantagem sustentável para continuar relevante no mercado. Se este é o seu objetivo, conheça mais sobre as soluções e o olhar pragmático da Hyper Group para acelerar crescimento, organização e geração de valor. Sua empresa está pronta para a nova era?
Perguntas frequentes sobre IA, bolha da internet e os aprendizados da NRF
O que é a bolha da Internet?
A bolha da Internet foi um período, nos anos 1990 e início de 2000, em que empresas digitais receberam grandes investimentos e cresceram muito em estrutura e equipes. Muitas focavam em audiência, cliques e números de usuários, mas não tinham caixa sólido. Acabaram valorizadas demais, sem base financeira real, o que desencadeou quebras importantes quando a expectativa não se confirmou.
Como a IA impacta as empresas hoje?
Hoje, a inteligência artificial permite que as empresas façam mais com menos. Automatiza processos, reduz custos fixos e torna operações mais ágeis. Pequenas equipes conseguem resultados que antes só grandes estruturas conseguiam, e grandes empresas se tornam mais rápidas em decisão e execução.
Quais aprendizados a NRF trouxe sobre IA?
O principal aprendizado da NRF é que IA precisa ser vista como habilidade transversal na empresa, não como serviço ou departamento isolado. Quando está presente em toda a organização, permite ganhos exponenciais, transformação real dos processos e geração de caixa consistente. É importante repensar fluxos, treinar equipes e medir impactos práticos na operação.
Vale a pena investir em IA agora?
Sim, investir em IA faz sentido se for para resolver problemas reais da empresa, melhorar execução e gerar caixa. O risco não está no exagero, e sim em ficar para trás enquanto outras empresas avançam. Recomendo avaliar onde a IA pode eliminar ineficiências e como ela pode potencializar o negócio.
Como evitar erros do passado com IA?
Evita-se os erros do passado ao não inflar estruturas, investir apenas em resultados reais e disseminar IA como competência central. Foque em processos otimizados, equipes bem treinadas, impacto direto no caixa e revisão constante de resultados. O segredo está em não apenas adotar novas ferramentas, mas transformar cultura e operação para o novo contexto digital.